“A natureza não é cruel, apenas implacavelmente indiferente. Essa é uma das lições mais duras que os humanos têm de aprender.” (Richard Dawkins)
«O Universo, nome que iclui tudo o que vemos e, principalmente, o que não vemos, não sabemos e não está ao nosso humano alcance, coisa escura rasgada por miríades de pontos luminosos, um aqui mais perto, outro ali mais longe, vastidão sem fundo, sem superfície, sem saliências, sem profundidades, um nada sem princípio nem fim, sem palavras concretas que o possam definir porque, na verdade, não tem definição – dizia eu que o Universo, vamos chamar-lhe assim e definitivamente, o Universo sempre foi iluminado aqui e mais além pelas chamadas estrelas e por gente. (…)
Todos nós concordamos sobre a existência dos Elementais e mesmo quem nunca os viu, ouviu ou pressentiu nas suas diferentes áreas de vida, sabe que há uma grande variedade destes seres nas quatro grandes categorias – os que vivem na Terra, os que vivem na Água, os do Ar e os do Fogo e outros, ainda mais inconcebíveis no nosso pensamento e no impossível alcance do nosso olhar. (…) Nessas noites de verão é difícil adormecer. Penso muito. Oiço tudo com grande nitidez. Parece que os meus olhos jamais se irão fecha! Fico para ali deitado a olhar pela clarabóia que está no tecto do meu quarto mesmo por cima da minha cama, vejo aquele profundo azul-escuro povoado de pequeníssimos pontos tão luminosos e imagino, mais uma vez, que poderia, se quisesse, caminhar até ao rio sem nunca tropeçar em nada! Vejo também pela minha claraboia uma estrada larga e branca! Imagine-se! Uma estrada de estrelas! Quem me dera caminhar por essa estrada de estrelas à vontade, sem destino, sem cuidados, caminhar, caminhar e cantarolar qualquer canção e sentir-me a levitar, a esvoaçar, com asas finas e transparentes que me transportassem mais além, certo de nunca chegar ao fim dessa estrada.
Às vezes vejo a lua. Quando ela se deixa ver, claro! Gosto muito quando é aquela lua fininha e curvada sobre si própria, parecendo-se até com o feitio dos bolos que a minha faz. Geralmente, por dentro e à volta dessa luz existem milhares de pontos brilhantes que a enfeitam e estão tão próximos!!»Lusco-Fusco / Cristina Carvalho. Porto: Sextante Editora, 2011.
