Os livros chegam-nos como um ponto de partida para algo a descobrir, a compreender, a pensar, a fazer, a realizar. Os livros entregam-se a nós como pontos de chegada e desse encontro dual, múltiplo permitem que nós estabeleçamos uma viagem, que nós saibamos compreender outras possibilidades, que nós consigamos articular pontos de partida. Os livros são a construção de uma leitura e têm por isso um verbo inicial essencial, ler.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2018
Os livros e a leitura
domingo, 23 de dezembro de 2018
Os livros
sexta-feira, 21 de dezembro de 2018
A informação
quinta-feira, 20 de dezembro de 2018
terça-feira, 18 de dezembro de 2018
O tempo das bibliotecas
As Bibliotecas conduzem um circuito de silêncio preparado desde largos confins do tempo, como uma cerimónia para novos espectadores. Fazem-no um pouco como as velhas glórias do passado, como uma pirâmide em Gizé, ou a Torre de Mangia, em Siena a olhar persitentemente para nós, para tantos nós a desfilar no horizonte.
terça-feira, 11 de dezembro de 2018
Ler
Lemos
as palavras, os sinais dos nomes das coisas. Lemos na paisagem os contornos das
colinas, o diverso em diálogo com o aberto. Lemos com os olhos, com as cores e
as formas da arte. Lemos entre o sonho e a perda, o doce e o amargo, Lemos na
utopia do que procuramos compreender. Jorge
Luís Borges deu-lhe a mais bela e sentida definição par esse espaço único, a
Biblioteca. Defini-a assim, “Sempre imaginei a Biblioteca como uma espécie de
paraíso”.
Frase de Borges que se tornou um lema vivo, uma visão para um mundo suportado no livro, mas também em outras formas de expressão, a arte. Frase que nos indica que é necessário alimentar a imaginação, criar a fantasia para que seja possível alimentar outros territórios, ou tão só como disse Tolentino Mendonça, “encontrar Deus pelos baldios.”
Frase para um resguardo do mundo, do barulho, do movimento, do social e onde é possível realizar a maior das aprendizagens. Essa que se torna essencial que é o de ler, ler continuadamente para um dia poder exprimir uma frase, uma história, ou só guardar a essência do real mais substantivo. A imaginação é sempre aqui uma conquista sobre o banal, sobre instante perdido em novidades sem significado.
domingo, 9 de dezembro de 2018
Uma Biblioteca imaginária
Uma Biblioteca é uma composição de todas as possibilidades, daquelas que de diferentes tempos sonhámos com tudo aquilo que era possível construir, a palavra e a linguagem, o conceito e a imagem. Biblioteca Imaginária, um espaço para construir um repositório de palavras, de imagens, de ideias à sombra de utopia humanas. Se a biblioteca é o melhor lugar do mundo, como construção de uma respiração individual, como lugar acima do tempo e do espaço, em cada um existe uma ideia imaginária do que cada um pode ser. Esta é a minha Biblioteca Imaginária, os espaços das palavras, as cores do que um dia cada homem ousou ser entre a face da verdade e o signo do belo.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2018
Gafia de coral
sábado, 1 de dezembro de 2018
Estante de leitura – Fala-lhes de batalhas, de reis e de elefantes
Respiras suavemente. Estás vivo. Gostaria de passar para o teu lado do mundo, de ver nos teus sonhos. Será que sonhas com um amor branco, frágil, distante, tão longe? Com uma infância, com um palácio perdido? Sei que lá não tenho lugar. Que nenhum de nós lá terá lugar. Estás fechado como uma concha. E, no entanto, fácil te seria abrires-te, uma minúscula fenda por onde a vida se precipitaria. Adivinho o teu destino. Permanecerás na luz, serás celebrado, serás rico. O teu nome imenso como uma fortaleza irá esconder-nos da tua sombra. Irá esquecer-se o que aqui viste. Esses instantes irão desaparecer. Até tu esquecerás a minha voz, o corpo que desejaste, os teus tremores, as tuas hesitações. Como eu gostaria de que algo conservasses disso. Que levasses contigo uma parte de mim. Que se transmitisse o meu país distante. Não uma vaga recordação, uma imagem, mas a energia de uma estrela, a sua vibração no escuro. Uma verdade. Sei que os homens são crianças que expulsam o seu desespero com a cólera, e o seu medo para o amor; ao vazio respondem construindo castelos e templos. Agarram-se a historietas, levam-nas à sua frente como estandartes; cada um faz sua uma história para se ligar à multidão que a partilha. São conquistados quando se lhes fala de batalhas, de reis, de elefantes e de seres maravilhosos; quando se lhes narra a felicidade que haverá para além da morte, a luz viva que presidiu ao seu nascimento, os anjos que giram à sua volta, os demónios que os ameaçam, e o amor, o amor, essa promessa de olvido e de saciedade. Fala-lhes de tudo isso e hão de amar-te; far-te-ão igual a um deus. Mas, pois que estás aqui encostado a mim, tu saberás, tu, um franco malcheiroso que o acaso trouxe para te pôr ao alcance das minhas mãos, saberás que tudo isso não passa de um véu perfumado que esconde a eterna dor da noite."
Mathias Énard. (2018). Fala-lhes de batalhas, de reis e de elefantes. Alfragide: D. Quixote.







