quinta-feira, 19 de setembro de 2024

Estante de leitura - Rebeldes magníficos

 Entre 1794 e 1799 um brilhante grupo de pensadores (Caroline Böhmer-Schlegel-Schelling, Joahann Gottlieb Fichte, Johann Wolfgang von Goethe, Georg Friedrich Hegel, Alexander von Humboldt, Novalis, Friedrich Schelling, Friedrich Schiller, Friedrich Schlegel, Wilhelm von Humboldt) juntou-se na cidade de Jena, na Alemanha e nela construiu uma revolução, a partir da invenção do eu, do livre-arbítrio e de uma nova ideia de relação do humano com o natural. O eu e o livre-arbítrio que estiveram na base do seu pensamento e que colocou de um modo determinante a escolha sobre liberdade e moralidade.

Continuamos a ter de fazer essa escolha. Encontrar na vida de cada um o seu significado mais autêntico, forma de compreender os outros e estar num mundo social e cultural foi a sua grande oferta para outros tempos. Com o grupo de Jena podemos voar no pensamento do que pode ser esse eu interior, pois eles deram-nos asas para essa possibilidade. Como o usaremos é uma questão que igualmente nos deixaram, nessa visão destacada por Novalis que liberdade e amor são uma e a mesma coisa”. Uma ideia para refundar outra forma de pensarmos a vida e o mundo.

Um livro deslumbrante sobre um grupo fascinante que mudou o modo como podemos ver o mundo.

“O Iluminismo iluminara de facto, mas esta nova abordagem racional também criara um certo distanciamento em relação à natureza e excluíra os papéis do sentimento e da beleza. A natureza tornara-se algo que era investigado a partir de uma pretensa perspetiva objetiva. Por exemplo, a luz já não era apreciada pelo seu jogo caleidoscópio de cores iridescentes, dizia Novalis, mas pela sua refração e “obediência matemática”; daí a sua elevação à própria palavra “Iluminismo”.

Era por isso que os alunos de Schelling gostavam tanto do seu jovem professor. Ele reunia o que a revolução científica separara: a natureza e a humanidade. Por mais que os cientistas observassem, calculasse e experimentassem, havia algo emocional, algo visceral e talvez inexplicável em redor da ligação da humanidade com a natureza.

Seja como for que a sintamos, a natureza pode acalmar, curar ou encher-nos apenas de alegria. Schelling deu-nos a explicação filosófica. E ao fazê-lo, a sua filosofia de unicidade tornou-se o batimento cardíaco do Romantismo.”

Wulf, Andrea. (2023). Rebeldes Magníficos – Os primeiros Românticos e a Invenção do Eu. Lisboa: Temas e Debates.