segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Estante de leitura – Presa comum

"Faço soar as grades deste Inverno

com um candeeiro fraco ao meu lado.
Não estarás hoje à janela,
à procura de chuva
na frequência do oceano,
esperando melhores anos,
com esse rebuliço doméstico que
me atrapalha as asas de corvo.

Se por aqui dispensares ainda
as tuas horas extraordinárias,
peço-te que não sorvas o
entulho todo, que deixes
ao menos esta mão estendida,
debicando cega no anfiteatro
da nossa tarde Agosto."

Frederico Pedreira. (2015). “51”. Presa comum. Lisboa: Relógio d’ Água.

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