"No entanto, a nossa maçã silvestre talvez só seja selvagem como eu, que não pertenço à raça autóctone, mas abandonei a ascendência cultivada e vim perder-me nos bosques. (…) Todo o arbusto de macieira silvestre, de certo modo como todas as crianças selvagens, estimula as nossas expectativas. Talvez seja um príncipe disfarçado. Que lição para o homem! Assim os seres humanos, remetidos ao mais alto nível, são o fruto celestial que sugerem e aspiram a produzir, servindo de alimento ao destino; e apenas o génio mais persistente e mais forte se defende e se impõe, lança finalmente no ar um tenro rebento, e deixa cair o seu fruto perfeito sobre a terra ingrata. De igual modo, os poetas, os filósofos e os estadistas brotam nas pastagens do país e sobrevivem às hostes de homens sem originalidade.
" É
sempre assim a busca do conhecimento. Os frutos celestiais, as maçãs de ouro
das Hespérides, estão sempre guardadas por um dragão de cem cabeças que nunca
dorme, de modo que colhê-las é uma tarefa hercúlea. Esta é uma maneira, e a
mais extraordinária, de a macieira silvestre se propagar; mas habitualmente ela
brota, a grandes intervalos, em bosques e pântanos, bem como na berma das
estradas, quando o solo lhe é propício, e cresce com relativa rapidez. Aquelas
que crescem nos bosques densos são muito altas e esguias. É com frequência que
colho destas árvores um fruto perfeitamente suave e como que cultivado. Como
afirma Palladius: “E o solo está juncado de frutos de uma macieira espontânea. ”Há
muito que se acreditava que, embora estas árvores selvagens não produzam por si
mesmas frutos valiosos, elas são a melhor ascendência para transmitir à
posteridade as qualidades mais apreciadas de outras. Contudo, não ando em busca
de ascendência, mas do próprio fruto selvagem, cujo aroma intenso não sofreu
nenhuma suavização."
...

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